quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Boletim Semanal nº 78

Luteranos Santos - Boletim Semanal Nº 78 - 151119 - João 5,24-29: Deus nos acolhe na hora da verdade.

Domingo da Eternidade: Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. Salmo 90.12



Caros Membros e Amigos da Paróquia de Santos!
Neste domingo temos o Domingo da Eternidade onde lembramos de todos as pessoas que nos deixaram. Especialmente lembramos os nomes de todos que faleceram desde o último Domingo da Eternidade. Guardamos a memória com gratidão e carinho, nos afirmamos na certeza de que estão na mão de Deus, e buscamos força para caminhar por esta vida com fé e esperança. Se você perdeu alguém querido neste ano, venha que lembramos dele ou dela na presença de Deus!
O nosso olhar para os falecidos e para todo o mundo de Deus que nos envolve é específico e em alguns pontos se distingue de outras tradições. Primeiramente pensamos a história como um evento linear. Não há repetições, e consequentemente, não há reencarnação. Temos mesmo de suportar a nossa precariedade, as contradições e a culpa acumulada ao longo da vida. A ideia da reencarnação identificamos como uma fuga equivocada da realidade precária da condição humana. Para esta somente Deus com seu perdão tem solução.
Atiramo-nós nos braços de Deus que nos envolve com perdão e misericórdia e abriga os nossos queridos falecidos muito bem em sua eternidade. Nós porém ainda estamos no mundo temporal com a incumbência de viver esta vida aqui como filhas e filhos de Deus. Faz parte deste mundo que há lágrimas, dor e sofrimento. O que nos ajuda é a fé no Deus da vida que jamais desiste de nós e de ninguém. Ele sempre de novo nos reenvia a vida e aos vivos.
O que ajuda é o sacramento da Santa Ceia, o único lugar onde na fé antecipamos o fim dos tempo e na união do tempo com a eternidade podemos nos sentir unidos a todas as pessoas, vivas ou na eternidade.
Até Domingo e Saudações do Deus da vida!
P. Guilherme Nordmann


Palavra da Semana - Para nossa reflexão

 
A tristeza de Deus

Porque a tristeza de Deus produz mudança... mas a tristeza do mundo produz morte. (2ª Coríntios 7,10)
O trecho da tradição bíblica que está em epígrafe acima faz referência à tristeza segundo Deus. Dorothee Sölle assim o interpretou: A presença divina nunca é presença observadora: a presença divina é sempre dor ou alegria de Deus.
Mas, o que distingue a tristeza divina das tristezas do mundo? pergunta o apóstolo dos gentios. Tristeza do mundo é tristeza que gira em torno de si mesma, patina sem sair do lugar.
É tristeza que paralisa no remorso, na lástima, no mórbido ruminar as faltas passadas, na lamúria sem fim. Nada se transforma, nada se metamorfoseia, nada muda. É tristeza que não conhece a esperança, o futuro, por estar afogada no passado. É Tristeza que mata, que corrói, que faz adoecer.
Como exemplo, atente-se às tristezas próprias do mundo da aparência: a anorexia, a bulimia, sofrimento de um corpo que morre para parecer belo. Ou a tristeza do consumo: esse mal-estar diabólico que leva do nada a lugar nenhum. A tristeza da guerra, da destruição que faz morrer a palavra e perpetua o ódio.
A tristeza segundo Deus, porém, produz mudança, movimento, superação, transformação, produz vida. É tristeza que não patina nas culpas, mas avança na responsabilidade. Tristeza de parturiente, que traz a esperança e o futuro no ventre. É tristeza que gera a sagrada ira, a santa indignação, o grito, a libertação.
Sem a participação na tristeza divina, o domingo da ressurreição não passa de oba-oba. Que as quaresmeiras e os ipês roxos, também próprios do tempo quaresmal, nos convidem a participar da tristeza segundo Deus, aquela que verdadeiramente nos conduz à mudança, ao arrependimento, à transformação.
 
Rubem Alves

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